
Campeão no Brasil nos últimos dois anos, Pulcini sobe de patamar com título no LAAC. Imagem David Paul Morris/LAAC
por: Ricardo Fonseca
Durante dois dias o golfe brasileiro voltou a sonhar com o título do LAAC (Latin America Amateur Championship), como já havia feito antes com o carioca André Tourinho, terceiro colocado da edição inaugural, em 2016, na Argentina, onde liderou do segundo dia até o buraco 15 do terceiro; e com o paulista Fred Biondi, vice-campeão em 2022, na República Dominicana, onde era líder por duas tacadas no tee do buraco 10 da volta final, antes de fazer dois bogeys nos últimos cinco buracos e ainda não conseguir o birdie no 18, de par 5, para perder por uma.

Dudu, líder em dois dias; Herik, melhor brasileiro; e Andrey com o cartão do hole-in-one. Fotos: Thomas Lovelock (Dudu) e Logan Whitton/LAAC
Mas desta vez, no 11º Latin America Amateur Championship, de 15 a 18 de janeiro, quinta-feira a domingo, no Lima Golf Club, em Lima, no Peru, a emoção foi ainda maior, pois os brasileiros puderam acompanhar ao vivo pela ESPN Brasil ou pelo aplicativo do evento, o show do paulista Eduardo Matarazzo Afonso Ferreira, o Dudu Matarazzo, que liderou parte do terceiro dia e da volta final. Dudu teve como caddie o profissional Vanderlei Soto, o “Coruja” do Sapezal, seu primeiro professor no campo de 9 buracos em Indaiatuba, onde aprendeu a jogar.
Dudu não começou bem. Jogou 74 (+4) para ficar oito tacadas atrás do líder, mas reagiu nos dois dias seguintes com voltas de 66, quatro abaixo. Com a volta de sexta, quando fez o melhor resultado dia e do torneio até então, Dudu zerou as perdas da estreia, e com a de sábado, foi líder nos buracos finais, com cinco birdies, até fazer seu único bogey no 18 e cair para o segundo lugar, mas garantindo uma vaga no pelotão, ao lado dos argentinos Andy Schonbaum, líder dos dois primeiros dias, e Segundo Oliva Pinto, líder do dia anterior.
Perguntado na entrevista para a tevê como seria jogar no último grupo no domingo, Dudu parecia seguro: “Acho que vai ser igual aos outros dias. Só preciso descansar um pouco. Praticar o que preciso praticar. Para amanhã, me sinto muito confiante, então, é só focar no processo.” Mas, infelizmente, não foi bem assim. Uma coisa é jogar nos grupos de trás, sem quase ninguém olhando, outra é disputar o maior prêmio do golfe latino-americano debaixo do holofotes e lentes das tevês e fotógrafos, e ainda sob os olhos de Fred Ridley, presidente do Augusta National e do Masters; Mike Whan, CEO da USGA (United States Golf Association) e Martin Hattrell, presidente do R&A, que acompanharam o jogo.
Apesar da pressão, Dudu Matarazzo começou firme e após um birdie no 3 se viu novamente líder do LAAC. Mas um bogey no 4 e, sobretudo, depois de um duplo bogey no 5, onde tentou uma jogada muito difícil da grama alta por entre as árvores, viu sua bola bater num galho e continuar mal colocada, seu jogo ruiu. Foram mais cinco bogeys até o final, além de um birdie no 16, para fazer sua pior volta da semana e cair para o 11º lugar, com 282 (74-66-66-76), duas acima.
Na verdade, não foi só Dudu, mas todo o grupo dos líderes que sucumbiu à pressão, todos fazendo sua pior exibição da semana. O líder da véspera Oliva Pinto jogou três acima, com apenas um birdie no dia, para somar 278 (72-69-64-73) e terminar em quinto, com duas abaixo. Já Schonbaum fez um duplo bogey e oito bogeys para jogar quatro acima e terminar em sétimo, com 280 (66-68-72-74), no par do campo.
O gaúcho Herik Machado, do Damha, fez oito birdies no domingo, inclusive nos três últimos buracos, para fazer a volta mais baixa do dia e terminar como o melhor brasileiro, com 279 (74-72-68-65) tacadas, em sexto lugar, com uma abaixo. Herik teve como caddie seu novo professor, o profissional Luiz Miyamura, do Paraná. Dos 56 jogadores que passaram o corte, Herik foi o último a terminar a semana abaixo do par, mostrando que um campo antigo (de 1924, reformado por Mackenzie & Ebert, em 2018) e que começa com dois pares 5, pode se tornar difícil com raias estreitas, rough alto e três de seus cinco pares 3 bem longos: 205 (buraco 4), 196 (9) e 226 jardas (11).
Nenhum dos demais brasileiros conseguiu jogar uma volta abaixo do par, mas outros dois, dos cinco que passaram o corte, terminaram entre os Top 20: o gaúcho Andrey Xavier, que chegou como favorito, antes de terminar em 16º, com 284 (70-72-72-70), quatro acima, mas com direito a um hole-in-one no buraco 4 de sábado, apenas o quinto da história do LAAC e o segundo desta edição. E Gui Grinberg, 18º colocado, com 285 (72-72-71-70), cinco acima. O último a passar o corte foi o gaúcho Matheus Balestrin, 26º colocado com 288 (75-70-72-71), oito acima. Completou a delegação brasileira o paulista Marcos Negrini, que devido ao trabalho e ao casamento no final do ano, vinha jogando e treinando pouco e não passou o corte com 167 (82-85) tacadas, 27 acima.
Num dos finais mais tensos da história do LAAC, o campeão foi o argentino Mateo Pulcini, com 275 (69-68-70-68). Ele precisou de dois buracos extras para superar o venezuelano Virgilio Paz Valdes Venez, que também somou 275 (70-73-64-68), cinco abaixo. Valdes, que somou oito abaixo no fim de semana, foi o único a superar Herik que somou sete abaixo nas duas rodadas finais.
Os dois erram muito no playoff, mas Pulcini levou o título com dois pares no 18, enquanto Valdes fechava o torneio com um bogey, depois de varar o green do par 4 e parar dentro da vala que separa o campo do green de treino, sob uma árvore baixa. Quando foi bicampeão do Aberto do São Fernando, em julho, superando Herik num playoff de dois buracos, Pulcini, que havia acabado de se formar na universidade, nos EUA, disse que ia esperar apenas o LAAC para se profissionalizar. Isso, agora ficou para julho.
Permanecer como amador é condição sine qua non para ele desfrutar dos grandes prêmios que vieram junto com o título do LAAC: vaga para jogar no Masters, em Augusta, na segunda semana de abril, e isenções para 154º The Open, em Royal Birkdale, e para o 126º U.S. Open, em Shinnecock Hills, os três maiores majors do golfe mundial, além de dois majors amadores: The Amateur Championship e U.S. Amateur. “Ter a oportunidade de jogar este torneio e ganhar é algo que pensava todas as noites antes de dormir”, diz Pulcini.
O venezuelano Virgilio Paz Valdés, como vice-campeão, ganhou convites para as seletivas finais do The Open, do US Open e do US Amateur. Além deles, o terceiro colocado ainda ganhou vaga no Amateur Championship. O torneio valeu muito pontos para o Ranking Mundial Amador de Golfe (WAGR) a ser atualizado na quarta-feira, 21.

Pulcini com o troféu do LAAC e dos majors que irá disputar. Foto David Paul Morris/LAAC





